Livro Cartas De Uma Morta 3/124 – Uma Pagina Por Dia

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ÚLTIMOS INSTANTES DO TORMENTO CORPORAL

Combati com tenacidade a moléstia que enfraquecia o meu organismo, porém chegou o dia que assinalava o término das minhas possibilidades de resistência. As derradeiras horas me foram de excruciante martírio e, depois de uma jornada repleta de dores violentas, veio a noite interminável da agonia. Reparava que o meu tempo no mundo se escoava dificilmente, almejando o seu findar como o trabalhador sedento e faminto – ávido de repouso.

O meu estado moral caracterizava-se por uma semi-inconsciência porque o tormento corporal atuava sobre as minhas idéias, que vagavam desordenadas como se fossem violentamente expulsas do meu cérebro.

Maria João de Deus

Livro Cartas de uma Morta – Psicografia Chico Xavier

 

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Livro Cartas De Uma Morta 2/124 – Uma Pagina Por Dia

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NO LIMIAR DA VIDA DE ALÉM TÚMULO

Para mim, meu caro filho, as últimas impressões da existência terrena e os primeiros dias
transcorridos depois da morte foram muito amargos e dolorosos.

Quero crer que a angústia, que naquele momento avassalou a minh’alma, originou-se da profunda
mágoa que me ocasionava a separação do lar e dos afetos familiares, pois, apesar de crer na
imortalidade, sempre enchiam-me de pavor de crer na imortalidade, sempre enchiam-me de pavor os
aparatos da morte; e dentro do catolicismo, que eu professava fervorosamente, atemorizava-me a
perspectiva de uma eterna ausência.

Lutei, enquanto me permitiram as forças físicas, contra a influência aniqüiladora do meu corpo;
mas foi uma luta singular a que sustentei, como sói acontecer aos corações maternos, quando periga a
tranqüilidade dos seus filhos. Unicamente esse amor obrigava-me ao apego à vida, porque os
sofrimentos, que já havia experimentado, desprendiam-me de todo o prazer que ainda pudesse me advir
das coisas terrestres.

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Livro Cartas De Uma Morta 1/124 – Uma Pagina Por Dia

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EXPLICAÇÃO NECESSÁRIAAs páginas que vão ler são de autoria daquela que foi, na Terra, a minha mãe muito querida.

Minha genitora chamava-se Maria João de Deus e desencarnou nesta cidade, em 29 de setembro de 1915. Filha de uma lavadeira humilde, de Santa Luiza do Rio das Velhas, ela não pode receber uma educação esmerada; mas todos os que a conheceram, afirmam que os sentimentos do seu coração substituíram a cultura que lhe faltava.

Quando o seu bondoso espírito se comunicou por meu intermédio, pela primeira vez, eu lhe pedi que me contasse as impressões iniciais da sua vida no outro mundo, recebendo a promessa de que o havia de fazer oportunamente; e, há pouco tempo, ela começou a escrever, por intermédio da minha mediunidade, estas cartas que vão ler.

Eu contava cinco anos de idade, quando minha mãe desencarnou; mas, mesmo assim, nunca pude esquecê-la e, ultimamente, graças ao Espiritismo, ouço a sua voz, comunico-me com ela e ao seu espírito generoso devo os melhores instantes de consolo espiritual da minha vida.

Aí estão, minha mãe, as tuas páginas. Elas vão ser vendidas em benefício das órfãzinhas. Deus permita que os pequeninos, que sofrem, recebam um conforto em teu nome, e que a Misericórdia Divina te auxilie, multiplicando as tuas luzes na vida espiritual.

Pedro Leopoldo. MG, 25 de junho de 1935.

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

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