102/124 AS ORAÇÕES DOS HOMENS

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Nossa especialidade é examinar as preces dos seres terrenos, acudindo às casas de oração ou a qualquer lugar onde há um espírito que pede e que sofre.

As rogativas de cada um, então, são anotadas e examinadas por nós, procurando estabelecer a natureza da prece, os seus méritos e deméritos, sua elevação ou inferioridade para podermos determinar os socorros necessários. Até as orações das crianças são tomadas em consideração: qualquer pedido, qualquer súplica, tem a sua anotação particular.

Há orações sublimes que se elevam da Terra até o nosso distrito, tão puras elas são, todavia, que atravessam as nossas regiões como jatos de luz, buscando esferas mais altas e mais elevadas que a nossa. Existem, igualmente, as imprecações mais negras e mais dolorosas. Todas, contudo, merecem o
nosso particular carinho e acurada atenção.

Há muitos espíritos elevados sob as ordens imediatas de Aulus, e que vêm até nós transmitindo as ordens necessárias. Chamamo-los anjos, para te dar a expressão do respeito e da veneração que esses elevados seres nos merecem, e sempre um desses anjos chefia as nossas expedições para atender os que erram e padecem, nos torvelinhos da luta material.

Maria João de Deus

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101/124 COMO NUM GRANDE DISTRITO

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O local onde nos encontramos é como se fora grande distrito terreno, sob a orientação de um chefe. Ainda outro dia, desejavas saber as coisas mais pormenorizadamente e eu busco satisfazer-te a curiosidade.

Nosso governador chama-se Aulus, se é que posso transmitir-te o nome em linguagem equivalente ao dicionário terreno. É um elevado espírito, cujo progresso e superioridade estamos distantes de alcançar. Foi um dos mártires anônimos do cristianismo nascente e, desde épocas remotas, semelhante entidade vem acendrando a sua evolução que segue em altos vôos para o regaço do amor de Deus. Chamamo-lo Príncipe, se é que podemos dizer-te tudo, de modo que possas compreender.

E, quanto a nó, que o obedecemos alegremente, integrados no conhecimento da hierarquia que aqui é alguma coisa bem mais sagrada que a que se conhece na Terra, não estamos inativos. Toda a atividade do distrito espiritual sob a administração de Aulus se compõe de núcleos destinados a socorros e auxílios a quantos se debatem entre as incertezas e as lágrimas da Terra.

Maria João de Deus

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100/124 UMA TERRA APERFEIÇOADA

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Aqui, filho, sinto-me surpreendida, porque vejo uma espécie de continuação do planeta que deixamos. Imagina a Terra, cheia de suas belezas naturais, porém, moralmente mais aperfeiçoada e terás a imagem dessa segunda esfera que me serve de habitação.

Temos casa, pássaros, animais, reuniões, institutos como os das famílias terrenas, onde se agrupam os espíritos através das mais santas afinidades.

A arte aqui é mais linda e mais perfeita e, como o culto a Deus, faz parte integrante de todas as coisas de nossa nova vida, há muita alegria
entre nós.

Eu, por exemplo, sinto-me rodeada de companheiros muito bondosos, com quem me entrego às tarefas que me são afetas.

Maria João de Deus

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99/124 NO PLANO DOS DESENCARNADOS

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Ainda há pouco tempo, meu filho, manifestaste o desejo de que eu te descrevesse o local onde agora me acho no plano espiritual. É bastante difícil
uma descrição literal, com respeito ao meu novo ambiente, mas vou tentar fazê-lo, apesar das deficiências naturais que se me apresentam.

A terra é o centro, isto é, a sede de grande número de esferas espirituais que a rodeiam de maneira concêntrica. Não posso precisar número dessa esferas, porque elas se alongam até um limite que a minha compreensão, por enquanto, não pode alcançar.

Quanto mais evoluído o ser, mais elevada será a sua habitação, até alcançar o ponto em que essas esferas se interpenetram com as de outros mundos mais perfeitos, seguindo os espíritos nessa escala ascendente do progresso, sob todos os seus aspectos. Somente agora consegui passar à segunda esfera, depois de penosos labores em favor do burilamento de minha personalidade. Procurarei resumir o mais possível para oferecer-te uma idéia do meu habitar.

Maria João de Deus

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98/124 UM ADEUS

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Meu filho, aí estão, nas minhas cartas despretensiosas, as primeiras impressões do meu espírito na vida do Além-Túmulo.

Por mais que me esforçasse, não pude ser fiel nas minhas descrições referentes ao aspecto que formam os ambientes dos desencarnados. Objetos e panoramas, que não se coadunam com as coisas conhecidas na Terra, é natural que permaneçam alheios à compreensão do homem e daí surge a dificuldade para que a alma liberta se manifeste com o objetivo de esclarecer as criaturas terrenas quanto à vida extracarnal.

Minhas páginas refletem justamente o panorama dos planos da erraticidade no desenrolar da última catástrofe mundial, que enlutou milhares de corações, quando se verificou o meu afastamento da vida material. Elas podem, aos olhos dos incrédulos, estar repletas de afirmações audaciosas e pouco acessíveis ao entendimento. Mas a morte é soberana e um dia os crentes e os descrentes atravessarão os caminhos da vida errática e hão de se certificar no sentido das coisas espirituais.
Ao fim dessa série de minhas elucubrações, dou graças a Jesus por havê-las conseguido e ao caridoso Guia, que me auxiliou na exposição das idéias, ajudando-me nas deficiências da minha incultura.

Nos momentos em que me aproximava de ti para escrever, sentia-lhe a salutar influência, ditando-me trechos inteiros para que eu os transmitisse
com a fidelidade possível. Vezes inúmeras corrigia a pobreza das minhas faculdades de expressão e a ele devo o que pude grafar por teu intermédio.
Possivelmente, meu filho, mais tarde prosseguirei escrevendo algo de novo; contudo, enquanto se cale a minha voz, continua desempenhando a
tarefa que se foi confiada, fazendo jus ao salário do bom trabalhador.

Nós sabemos o quanto tens sofrido no cumprimento dos teus deveres mediúnicos. Sacrifícios, dificuldades e provações, inclusive os espinhos aguçados,
que polvilham as tuas estradas, tudo isso representa o meio de redenção que a magnanimidade do Senhor nos oferece na Terra, para o nosso resgate
espiritual.

Suporta pois corajosamente, com serenidade cristã, os revezes da tua existência.

Exerce o teu ministério, confiando na Providência Divina.

Seja a tua mediunidade como harpa melodiosa; porém, no dia em que receberes os favores do mundo como se estivesses vendendo os seus acordes, ela se enferrujará para sempre. O dinheiro e o interesse seriam azinhavres nas suas cordas. Sê pobre, pensando n’Aquele que não tinha uma pedra onde repousar
a cabeça dolorida e, quanto à vaidade, não guardes a sua peçonha no coração. Na sua taça envenenada muitos têm perdido a existência feliz no plano espiritual como se estivessem embriagados com um vinho sinistro. Não encares a tua mediunidade como um dom. O dom é uma dádiva e ainda não mereces favores do Altíssimo dentro da tua imperfeição. Refleti que, se a Verdade tem exigido muito de ti, é que o teu débito é enorme diante da Lei Divina.

Considera tudo isso e não te desvies da humildade.

Nos tormentos transitórios da tua tarefa, lembra-te que és assistido pelo carinho dos teus Guias intangíveis.

Nas noites silenciosas e tristes, quando elevas ao Ilimitado a tua oração, nós, estamos velando por ti e suplicamos a Deus que te conceda
fortaleza e resignação.

A vida terrena é amarga, mas é passageira.

Adeus, meu filho!… Dentro de todas as hesitações e incertezas do teu viver, recorda-te que tens neste outro mundo, para onde voltarás, uma irmã
devotada que se esforça para ter junto dos filhos, que deixou na Terra, o mesmo coração, extravasante de sacrifício e amor.

Maria João de Deus

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97/124 A MISSÃO CONSOLADORA DOS ESPÍRITOS NA TERRA

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Mas, nesse momento, houve naquela maravilhosa preleção, estranho staccato. Um relâmpago indescritível, esplêndido na sua beleza e silêncio iluminou as profundezas do ilimitado. Eu não saberia contar o que se passou então; um sentimento intraduzível de êxtase e veneração se apoderou de nossas almas fazendo-nos curvar, cheios de compunção e de lágrimas.

Todos os espíritos, que ali se confraternizavam, sentiram como eu, nessa hora, uma energia nova e, sem saber relatar o que se passara, adquirimos uma força que não possuíamos, uma estranha iluminação, fazendo-nos volver à superfície da Terra, para a qual trazemos a missão consoladora.

Desde esse instante integramos às fileiras dos que pugnam pelo aparecimento de uma nova era para a humanidade e, laborando ao lado de todos quantos se experimentam sob o aguilhão da carne, esclarecendo-os e confortando-os, de forma indireta, sem que sintam de maneira tangível a influência de nossa ação, nós queremos dizer a todos os homens como nos foi dito, naquele inenarrável momento:
– Sigamos a Jesus!… Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida!…
E que o Celeste Enviado, na sua infinita misericórdia, faça cair em todos os corações a luz maravilhosa do divino relâmpago do seu amor.

Maria João de Deus

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96/124 PELA OBRA GRANDIOSA DA RESTAURAÇÃO DAS CRENÇAS PURAS

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Não me é possível reproduzir com fidelidade absoluta tudo quanto escapou dos seus lábios, apenas, nas minhas expressões grosseiras, posso sintetizar a moral da sua inesquecível preleção:

“Irmãos, – iniciou ele, – em vossas experiências nos planos da erraticidade, compreendestes como são fugazes as ilusões do mundo físico!…
Felizmente já vos despojastes do corpo de impressões materiais, que conserváveis dentro das lembranças nocivas daquilo que, em sua maior parte, constituía o lado prejudicial da vossa existência passada. Repousastes no fim de labutas insanas e penosos trabalhos, reconstituindo o vosso organismo espiritual, combalido nas lutas.

Agora faz-se preciso que vos reergais para as tarefas dignificadoras!

Na face longínqua da Terra estão ainda, sonhando e padecendo aqueles que amastes; na superfície desse orbe distante, lutam os homens, obsecados pelo orgulho e pela impenitência. Lá, todo um campo ilimitado de trabalhos se desdobra às vossas vistas. Guerras destruidoras, sentimentos aviltantes, corações aflitos, coletividades sofredoras, trabalhadas pelas mais duras privações, leis absurdas, ignorância, martírio, insânias, tudo se confunde,
esperando a luz espiritual.

Os homens têm lutado por muitos séculos procurando a verdade, onde ela não se pode encontrar. Um dia lhes foi dado contemplar a face luminosa do Divino Plenipotenciário. Houve regeneração parcial dos abusos que se perpetravam e observou-se grande argumento da civilização. As criaturas humanas, porém, esqueceram muito depressa o Sublime Enviado. Os abusos de toda espécie reapareceram; a verdade foi obscurecida e o erro se restabeleceu no mundo.

Os homens, no seu afã de saber, criaram então as filosofias e as ciências, as quais, contudo, não podem ir além da matéria, em sua expressão mais grosseira. No orbe terreno, pois, verifica-se atualmente o eclipse das luzes espirituais.

Cabe-nos operar o movimento grandioso de restauração das crenças puras. Voltemo-nos para o solo ingrato daquele mundo de experiências e provas, onde o pão, que nutre o corpo, se mistura com os prantos amargosos das almas.

Trabalhemos! Levantemos as criaturas humanas da sua inércia moral.

Verifiquemos a nossa ação sob as vistas amoráveis daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida…”.

Maria João de Deus

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95/124 O LÚCIDO MENSAGEIRO DO SENHOR

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Parecia que nos achávamos num templo maravilhoso do infinito, sem limites nos portentos de sua grandeza.

Elementos de vida penetravam profundamente em nosso ser, enchendo-nos de uma deliciosa sensação de bem-estar agradabilíssimo.

Verdadeira multidão de almas ali se conservava, quando, numa graciosa elevação da substância que constituía a superfície desse orbe, como se fora um cômoro de névoas opalinas, materializou-se um dos mais lúcidos mensageiros do Senhor, que já me foi dado ouvir na existência do AlémTúmulo.

Uma túnica delicada e leve, à maneira romana, caía-lhe dos ombros, mas o que sobremaneira nos encantava era o extraordinário poder atrativo que se irradiava de toda a sua personalidade.

As suas palavras derramavam-se nas nossas almas, como bálsamos deliciosos, tal a profundeza do seu ensinamento aliada à mais encantadora magia.

Maria João de Deus

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94/124 JESUS É O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA

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Pareceu-me que eu havia concluído um curso de preparação na vida errática, porque, naquele dia, fui levada por amorosos e devotados guias a um local maravilhoso pela sua amplitude e beleza.

Tratava-se de uma esfera fluídica, comparando-se as matérias delicadas de sua constituição com os elementos grosseiros, característicos da Terra.

Uma vasta superfície, como um campo divino, tínhamos sob os nossos olhos; a claridade, que se espalhava, iluminando-o, era abundante, mas não ofuscava, de forma que, sobre as nossas frontes, víamos o zimbório celeste, recamado de estrelas tremeluzindo…

Mais me impressionavam porém as flores estranhas, de bizarros contornos, que espargiam no ambiente um capitoso aroma…

Maria João de Deus

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93/124 A VIDA, ETERNO FENÔMENO DOS JOGOS VIBRATÓRIOS

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Assisti a cerimônias extravagantes e esquisitas, regressando, depois de terminadas, pelos mesmos caminhos a que me referi. Aquele iniciado, ao grafar as idéias no papiro, experimentava a lembrança dos seus venerandos mestres.

As vibrações da sua mente haviam impregnado aquele objeto e a sua prece estava ali patente e imortal.

Concluída a minha experiência, ouvi a voz do meu guia a exclamar:

– “Considera, minha filha, como todas as coisas têm a sua história!… A vida é o eterno fenômeno dos jogos vibratórios e tempo virá em que as almas
na Terra compreenderão o papel do espírito na sua esfera infinita de influenciação. Nessa era nova, os homens verão mais além e hão de construir, com os seus conhecimentos, a felicidade eterna.

Maria João de Deus

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