18/124 MEUS PULMÕES RESPIRAM E MEU CORAÇÃO PULSAVA

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MEUS PULMÕES RESPIRAM E
MEU CORAÇÃO PULSAVA

Em minha condição de alma pouco evolvida iniciei, pois, a vida de após a morte, nesse ambiente
do espaço, que descrevi nas páginas anteriores. Decorrido o tempo inolvidável em que divisara a figura
sublime daquele mentor espiritual, que viera caridosamente balsamizar as minhas feridas e as daqueles
que formavam a grande turba de meus companheiros pela saudade e pelo sofrimento, embora me
sentisse relativamente feliz, pressentia o coração pungido pela angústia da distância, que me separava
do mundo que eu deixara. Os laços afetivos, os hábitos, os pequeninos nadas de minha existência estavam inteiramente comigo…
Um dos meus primeiros pensamentos de estranheza foi o de compreender que havia morrido e, ao mesmo tempo, conservar o meu corpo, o qual, segundo o bom senso, fora entregue à Terra.
Constatei que os meus pulmões respiravam e o meu coração pulsava com absoluta normalidade.
Tais pensamentos afligiram-me. Preocupava-me, apenas, o isolamento em que me encontrava naquele ambiente, para o qual fora arrebatada, sem um preparo prévio. É verdade que me via envolvida numa onda de simpatia por parte de quantos se abeiravam de mim; todavia, a minha angustiosa estranheza crescia a ponto de me fazer chorar.

Maria João de Deus

Livro Cartas de uma Morta ­ Psicografia Chico Xavier

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